Dorothy de Castro - Nasci em 03 de abril de 1945, na cidade de Pouso Alegre Minas Gerais e ainda bem jovem fui morar na capital de São Paulo, com meus pais e meus irmãos,cursei a escola técnica do comércio, e estudei enfermagem exercendo a profissão durante 20 anos, mas mesmo longe dos meios literários encontrava tempo de escrever meus manuscritos, que viera se tornar minha primeira obra prima, o meu livro , “Orgasmo Poético”.

Fã incondicional de grandes autores brasileiros, mas as minhas maiores referencias sempre foram, Fernando Pessoa e Florbela Espanca, casada, mãe de dos filhos, e cinco netos, hoje desenvolvo um projeto como novelista ao lado do meu filho também escritor.

“sou seduzida pelo ato de sonhar e colocar em palavras todos os meus sonhos, quando não os realizo, ou apenas concretizo, relatando em forma de poesia”

LOUCA E SÓ

Ficava ali sentada,
O olhar sempre perdido,
Na escuridão da noite,
já que odiava a luz...
Passava tanta coisa
em sua mente...
Sentia mal estar
no corpo ardendo,
E cada palmo de carne
Tinha pegadas dele...
A sede intolerável
Fome quem sabe de beijos,
Rastros, pisadas de pés,
Que fora deixado ali,
Perto da roupa rasgada
Do seu homem tão querido...
Quantas vezes encharcara
Seu vestido de perfume,
Queria amar seduzir,
Imaginava o repasto,
Vinha o coração na boca
tremia desorientada...
Queria te-lo nas unhas
Escrevia como louca,
Sentada ficava ali...
Sózinha sem testemunhas!!!

Dorothy de Castro-



ABAFADURA

Quase em transe
Assim ficamos,
Adrenalina pura
Abafadura...
À flor da água,
Quase em gelo
Seu peso,
Sua boca , seu cabelo...
Com todo atrevimento
Meu momento,
mostrar que amo
Você, na minha
encarnada fenda,
Me surpreenda,
Num galope em pasto
aberto...
Com arranhadura,
nas costas, na barriga,
na cintura,
e tudo certo...
Me dê o homem
Sem que eu peça,
sem horário,
Sem a marca vulgar
do calendário!!!

Dorothy de Castro



ALÉM DOS BRAÇOS


Quase me atrevo
a te tocar,
Não devo eu sei,
Mas que fazer
Se te sinto
No meio das palavras,
É palpável teu corpo
Por isso espero o vento,
Que traz teu cheiro
De monge pecador...
E quer saber
O que é viver de amor,
É ter além dos braços
duas asas,
Voar e não ser nunca
desertor...
Não me lembrar
de ter gostado tanto,
De outro corpo
desejando o meu,
De outra boca
que profere versos,
E me oferece
como um beijo teu ...
Mas teu voar é longe
muito longe,
Lá onde não conhecem
Teus pecados,
Lá onde meus desejos
tresloucados,
Há de roçar a boca
do meu monge!!!

Dorothy de Castro-



TUA REGRA

Eu corro à tua procura,
Levo meus braços
Anseio te enlaçar,
Mais longa que a tua vida
Há de ser o amor que tenho...
Meu bruxo, meu feiticeiro,
Tão proibido pra mim,
Tão ultimo e tão primeiro...
Quisera esmagar a boca
Na tua boca encantada,
Saber da feitiçaria
Que une e separa amantes,
Conhecer a tua regra
Te dar tudo e não ter nada,
Mas queria que tivesses
Nescessidade de mim...
Exponho meu caldeirão
Em forma de coração,
Faça aqui tua magia
Teu encanto derradeiro,
Te dou o vinho e a loucura,
Só tu, me resgataria...
Eu corro à tua procura,
Meu mago, meu feiticeiro!!!

Dorothy de Castro



AMOR FRAGMENTADO


Não hás de ver
O amor fragmentado,
Meu coração partido
Em tantos nacos...
Não has de ver
meus olhos debulhados,
Em lagrimas caidas
no tapete...
Não has de ouvir
a minha vóz cantando,
Parte da musica
que nos embalava,
Não vou deixar que
terminada a guerra,
Tu partas em retirada
como um general...
Vou te brecar
seguro pelas mangas,
Te obrigo à me beijar
Na boca fria, onde
repousa o beijo,
guardado à tempos
pra te entregar...
Também não quero
a tão famosa pena,
Coisa que amantes
gostam de ofertar,
Bem antes disso
Subo nesse palco,
Recito versos e recebo
aplausos,
E vens talvez alegre
me abraçar!!!

Dorothy de Castro



OLHO QUE CHORA

O vento me acaricia,
Frio gelado nas veias,
A pele nua me ardendo...
Quero superar limites,
E sei que sou corajosa,
mas as raizes profundas
No meio da fauna humana,
Tira toda a minha força...
Meus dilemas, desafios,
Minha rotina de sonhos
Me mostra deficiências,
À querer em agua aberta
Dar tão profundas braçadas...
Tenho medo do oceano,
Não governo a emoção...
Minha blusa cor de fogo
Afasta meu pouco siso,
Mas tenho um olho
que chora,
E uma audição que estimula...
A minha alma te adora,
És passarinho, eu sou flor,
Mas te peço solte a lingua,
Me fale um pouco de amor!!!

Dorothy de Castro



SEM TEMPO

Não tinha tempo
pra falar de amor,
E nem gostava,
E muito menos
viajar pro norte,
Só de pensar
Já ficava febrenta,
Queria mesmo
era remoçar...
Se acontecesse isso
Ai meus anjos,
Falava tudo
sem pestanejar
Amor, paixão, tesão,
agarramento,
beijo na boca,
Saia levantada
ai ... podia...
Cara esticadinha
dente bem branquinho,
Até o ardido
do creme dental...
Cabelo preto
Olho bem verdinho,
E tudo o resto
Etecetera e tal...
A mocidade vindo
meu benzinho,
Pra quem quiser
eu falo que
eu não presto,
E amarro a nossa
rede no beiral !!!

Dorothy de Castro



FLORADAS DE SAUDADE


Inquietante saudade
Assola minha mente,
Lembranças de floradas
Despejadas no outono,
Amarelas, lilases, brancas
Indecentes,
Agarradas aos galhos
Oferecendo beijos...
Me iludo com a beleza
Te quero em ramalhetes,
Escolho suas pétalas
E corto seus espinhos,
Para que entre lisa,
Dentro do meu peito...
Eu te ofereço um vaso
Do mais fiel cristal,
Mas que ilusão poética
Fazer saudade em flores,
Talvez amá-las tanto
Que as replantaria,
Num rasgo do quintal...
Inquietante saudade
Assola minha mente...
É só a mocidade,
Que já se faz ausente!!!

Dorothy de Castro



LUA VERMELHA

Eu vejo a lua vermelha
Bem na cor da minha roupa,
Mas só eu a vejo assim...
E antes que se evapore
Da lua, toda essa cor,
Meu homem, monge
selvagem
Dos meus sonhos
ilusóricos,
Com poemas metafóricos,
Semeia líquido amor...
Nascerá , tenho certeza,
Adubado com teu beijo
E tua afável caricia...
Assim, como não te amar?
Não sentir tuas delicias...
Como não ver a centelha
Dos teus olhos, quando fitas
A minha lua vermelha!!!

Dorothy de Castro



FRUTO OUTONAL

Eu quero o teu olhar
Caindo sobre mim,
Tua mão invisível
Tocando no meu rosto...
Eu sinto o teu perfume
amor, eu sinto o gosto,
Dos teus lábios famintos
Que mordem meus ciumes...
Te vejo meu amigo
te vejo meu amante,
o meu fruto outonal,
o meu lual distante,
O meu cavalo alado
de crinas reluzentes...
Me deixa galopar
em pelo, seus instintos,
Eu te ofereço o fruto
Assim como se fosse,
Tua boca à sugar
Minha laranja doce!!!!

Dorothy de Castro



ONDE HOUVER VINHO


Com que sagacidade
você chega,
Querendo o vinho
à me escorrer da boca...
Cuide amor pra que
êsse vinho
Não vire logo vinagre...
Carencia louca
Essa tua,
Imagina me ver nua,
Logo na primeira vez.
Vamos polir primeiro
A nossa taça,
Porque o destino
da caça,
é correr do caçador...
Deixe arrolhada
a garrafa,
Desse vinho tentador,
E seco
como a minha boca,
Que espera a saliva louca
Do teu vinho
Ou teu licor!!!

Dorothy de Castro



INSONDÁVEL

Não te conheço...
eu nem mesmo sei,
de onde vem
essa magia...
Mas sei que
existe...
És mago, feiticeiro
bruxo, insondável,
e eu aqui querendo
desvendar,
querendo a cor
destes teus olhos
limpos...
querendo o gosto
desta boca louca,
e o toque leve
desta mão
que escreve,
Palavras lindas
neste teu teclar...
Mas não me conte
Nunca o teu segredo
Quero te amar...
Mas tenho
Tanto medo!!!

Dorothy de Castro



VERSO PELADO

Eu quero a nudez
dos versos,
Sem brilho,enfeites
miçangas...
Quero usá-los
Do meu jeito,
Mesmo que seja suspeito,
Quero-os assim,
só de tangas...
Também não quero
versinhos,
Quero riquezas, entalhes,
Mas não precisa brilhar,
Meu verso é simples
Modesto,
Agasalha a poesia...
Preste atenção nos detalhes,
Não obedeço um sistema,
Para escreve-los
Não presto,
Tão feia a caligrafia
Que envergonha o meu poema!!!

Dorothy de Castro



TRISTE ALMA

O inferno da moça triste
Lembranças que a querem morta
Saudades do seu amor...
Querer voar, traspassar
Desse mundo para o outro,
Buscar o esquecimento...
Lembrar o amado partindo
Sem adeus sem novamente,
Sem beijo de despedida
Só noticias nos jornais,
Triste Alma, nada mais...
Já não está mais com ela
Falar com as flores
é tudo ...
Até o retrato é mudo,
Olhos parados nos seus...
Fotografia da morte,
Do amor que não teve sorte,
Terra, mar, sangue... Adeus!!!

Dorothy de Castro



POEMA LARGO

Num largo sorriso
Eu largo,
Tristeza agarrada em mim.
Tem o corte do machado,
Pairando em minha cabeça...
Que besta,
A fera passeia
Nos meus sonhos ordinários...
O céu coberto de estrelas,
Nem se importa com soluços
O meu carrasco suplanta
tudo que há de medonho...
Eu sonho com poesia
Eu invento fantasia,
Quantas pernas tem meu verso?
Só corre dentro de mim...
Eu cavo um buraco fundo,
Enterro todo esse mundo
de ilusão que não existe...
verde campo passarado
galhos fortes renascendo,
novas folhas, novas penas,
Se acaso estiver morrendo,
Eu largo aqui,
Meus poemas!!!

Dorothy de Castro



METÁFORAS

Ah, essas metáforas
me matam...
Como no livro sagrado,
Para enganar o diabo,
Você escreve desse jeito...
E eu fico aqui perguntando
o que você quiz dizer,
Porque gosta de escrever
Desse modo tão confuso?
Porque poeta, o abuso,
De não dizer alto,eufórico
Sem o estilo metafórico,
Que me confunde a cabeça,
Porque não grita baixinho,
Antes que eu surta, enlouqueça,
Prêsa como um passarinho
Em seu metafórico ninho...
Mas vou fazer com você,
Isso que fazes, comigo...
Vou por a boca no mundo
Escrever de trás pra frente,
O nome desse seu nome
Em meu tablado de amigo,
Esconder o amor profundo
Que eu sinto...
E que você sente !!!

Dorothy de Castro



VERSOS MANDADOS

Voce viu o que acontece?
Quando eu procuro esquecer,
Do nada, você aparece...
Tem um amor diferente,
Poema contagiante....
Me lava a alma,e no corpo
Esparrama seu fluido,
Depois que eu dispo o vestido,
Só desejo seu tocar...
E mesmo estando distante
Te sinto arfar, desvairado...
E como um animal, alado...
Voa pra dentro de mim....
Mas é tudo fantasia,
Porque o amor irradia,
a paixão? Não...
Só quando eu lia,
Os versos que me mandavas,
Fora disso,
Só o desejo ansioso desse beijo,
Sonhando que me beijavas!!!!

Dorothy de Castro



DANÇA DE DAMA

Inda que fosses assim
facinoroso...
Eu haveria de amar-te
que me importa?
Não ponho este amor
No eviterno,
Não conheço
O que não seja separado...
Mas também, terás na certa
que aceitar-me,
De qualquer forma
Até desguedelhada,
Ou num glamour
Usando luvas pretas....
Espartilho apertado
Na barriga,
Boca vermelha
De uma dama antiga,
Que dança ao som da guita
Nos bordéis...
Que fuma e bebe
Em orgíacos festins,
Mas que enloquece
De amor por ti,
E mesmo assim,
Se despe inteira
Para os coronéis!!!

Dorothy de Castro



EU SOU ASSIM

Para não correr risco,
espero a vida dar baixa,
enquanto isso,
quero uma dose maior...
com os olhos apertados,
busco outras dimensões,
cheias de conteúdos...
No grande escuro,
sob a minha direção,
quem cruza esse meu caminho,
começa à olhar para mim...
quer entender,
porque prefiro os buracos,
escavados nesse chão...
Não tenho armas, na luta:
Guerreira de mãos e boca,
Só carinhos, toques, beijos...
Eu sou assim, meio louca!
De poesia, sem briga..
Muito melado e desejos
aproveitar o quentinho
do seu saco de dormir...
No silêncio, agarradinha,
Colada à sua barriga!!!

Dorothy de Castro



É MINHA ESTA LOUCURA


A ninguém interessa esta loucura
É minha particular, indivisível...
Só eu te vejo do modo como eu vejo,
Só eu conheço o gosto deste beijo,
E sinto o quente abraço dos teus braços!
Quando te espero pra fazer amor,
Porque este amor é feito desta espera
Eu quero os teus cabelos sem cortar,
Porque meus dedos gostam de brincar
Como se fossem pelos de uma fera...
Também quero o teu peso sobre mim,
A me esmagar dizendo que me ama,
No torturante barulho, em nossa cama
É minha esta loucura, é minha sim...
Já que sou louca, deixa-me ficar
montada sobre ti à galopar
Buscando o gozo deste amor,
Sem fim!!!

Dorothy de Castro



JUVENTUDE


Tudo vem da natureza
Acredite, ela é intensa,
Você nem precisa olhar...
Faça chuva ou faça sol,
Tenho a medida do amor...
Um tempo só pra você,
Aqui no quarto dos sonhos
Eu faço meu próprio show...
Cabaré estilisado,
Acetinados lençois,
Juventude sem idade...
Com mãos escorregadias
Eu brinco no seu perineo,
Te ponho dentro de mim...
E te prendo experiente
Na aderência feminina...
Quero surprêsa no amor!
Mas fico fazendo tipo,
Sem estar comprometida,
Mulher do bem ou do mal...
Sem jamais sair do salto,
Uso um vestido vermelho,
A overdose da paixão,
Pode causar dependência...
Por isso o beijo é na testa,
Minha cigana não erra...
Amo igual adolescente,
E grito, fazendo festa,
Meu homem ...
Não foi pra guerra!!!

Dorothy de Castro



ALQUIMIA DO ENCONTRO

Gosto de me sentir assim,
Com meu instinto de femêa,
Num banho de sedução...
Peço à Senhora das Feras,
A alquimia do encontro,
Levo a sexualidade,
Amarro o mêdo à paixão...
E Lá Vou Eu...
Cheia de amor prá você,
Partilhar a intimidade...
Em alta, nossa libido,
Por baixo do meu vestido
A sua necessidade
Encontra em mim o prazer!!!

Dorothy de Castro



ESCONDIDINHO

Me deixa tocar seu corpo
Só com a ponta dos dedos,
Quero voce refletido
No espelho do meu quarto...
Porque em qualquer território,
Tem seu charme consciente
Certificado de homem...
Nos momentos de convivio
Nosso amor escondidinho,
Para não impressionar!
Amando em circulos,
Nós vamos fechando espaços,
Transa madura, loucura...
Nossa cama em desalinho,
Marcas de beijos,
Abraços!!!

Dorothy de Castro



SEGREDOS

Não conte pra ninguém,
Vão duvidar na certa
Que exista amor
Nos teus desejos loucos
Também vão duvidar
Que ainda temos ,
O fogo à nos queimar
Nessa paixão esperta!
Nao fale das caricias
Que faço em tua pele
Tampouco do arrepio
Que causa tais delicias...
Nem da febre selvagem
Nem da minha fome,
Ao te comer dormindo
Sem dizer teu nome!!!

Dorothy Castro



OLHA QUE LOUCO

O meu amor à distância,
Não pode romper os laços,
Quero penetrar nas fibras
Do homem da minha vida...
Espero o tempo do tempo,
Para aplaudir e berrar!
Não quero amor só por texto,
Quero tocar sua pele,
Desafiar a razão
Escandalizando o mundo...
E numa postura séria,
Eu sei lidar com a dor,
Mas tenho meu segredinho...
Tento conter a loucura,
Numa escolha decisiva,
Conexão positiva...
Sem ter noção do final,
Nada tem mal,
Só o amor em estado bruto,
Porque passei no seu teste
Rasgada e dilacerada...
Eu, mulher inacabada,
Sou fórmula do prazer,
E a vontade de viver...
Tudo isso é muito pouco,
Olha meu amor, que louco!!!

Dorothy de Castro



ORÁCULO

No oráculo da Deusa,
A tua voz me enfeitiça
Assim em cores e flores,
Não tenho medo do escuro!
Pois tudo é superlativo...
Até vintage, melhor versão
de mim mesma...
Numa garrafa,
a mensagem no licor..
Mas aprendi ao longo
da minha vida,
Sem tesão, não tem amor.
Este é o meu desafio:
Ver desenhada no chão,
A minha cabeça esperta...
Trama deserta
Num temporal de paixão...
O amor não me abandona,
Mas te peço enlouquecida
pelo menos por um dia,
Me adote na tua vida...
E em forma de caracóis,
Com a nossa fantasia..
Circo sem lona,.
Nosso show sob os lençóis!!!

Dorothy de Castro



MEU VENENO

Porque me cobiças tanto
Se sabes que meu encanto,
Não tem e nem terá dono...
Se vivo em tua cabeça,
Deixe que o amor amanheça
Com a tua noite de sono...
Pense num modo qualquer,
De conquistar a mulher
Que existe dentro de mim...
Se aproxime do teu jeito
Pode me jogar no leito
Eu deixo, até abro as pernas,
Te recebo com tesão,
Mas saiba minha paixão,
Tenho lembranças eternas...
De um homem alto e moreno,
Dele... Bebi o veneno,
Por ele faço o diabo...
Por esse homem, me acabo!!!

Dorothy de Castro



COMO NO ESPELHO

É assim que me vejo
À tua espera , de novo
Imaginando o momento,
De tocar a tua mão...
Olhar fundo no teu olho
Me enxergar como no espelho,
O meu vestido vermelho
Com esta flor no decote...
Tanta coisa pra dizer.
Perguntar, especular,
Vizualisar a paixão!
Não, melhor a tremedeira,
Que sentimos abraçados
Melhor o beijo mordido,
A saudade matadeira...
Encontros desesperados.
Melhor o amor existido!!!

Dorothy de Castro



PSIU SILENCIO

Eu aprecio o silencio
Ele se entende comigo,
Somos dois feixes atados...
Quando estou nele e ele em mim,
Costumamos conversar,
Sei lá no que, qualquer coisa,
Por exemplo, de você...
Se sabe onde te encontrar,
Se está triste, se contente...
Se pensa em mim ou não pensa,
Se quer me ver ou não quer...
Se me tem como uma crença,
Ou me vê como mulher...
Pergunto tudo ao silêncio,
E ele nunca me responde,
Mas eu já descobri porque:
É que ao ficar em silêncio,
Fico perto de você!!!

Dorothy de Castro



ORGASMO

Então de repente eu me entrego
E te sinto másculo se enroscando
No meu corpo todo me bebendo
A seiva do suor vertendo
O ultimo gozo que nos torna cegos.

E sinto teus lábios sôfregos e quentes
Num beijo molhado de gosto amargo e doce.

E apalpo a tua pele branca e aveludada
E caio num abismo de fome e de vontade
De ser possuida até ser devorada
pelo teu sexo, pela tua vontade.

De repente, tudo fica calmo
E uma paz infinita desce sobre nós
Fechamos nossos olhos e calamos
Num beijo saciado a nossa voz!!!

Dorothy de Castro



NUDEZ

Dependurar as nossas roupas
No cabide,
Umas sobre as outras
Amorosas...
Já é rotina,
E para todos os efeitos,
Estamos nús ali,
Fazendo amor!
E nada se constrói
Tão simplesmente,
Um beijo, um abraço,
Alguns amassos...
Há um nivel insuportável
De paixão,
Ficamos agarrados
Um no outro...
Escorregamos as mãos
Por nossos corpos,
Misturamos os perfumes
Sôbre a cama...
Mordo o seu queixo,
Beijas minha boca,
Depois... o amor...
E tudo que se ama!!!

Dorothy de Castro



MÁSCARAS

Imprescindível
retirar a máscara!
Em delírio exercitar
meu romantismo...
Se este amor fosse eterno
Espantaria a solidão...
Sem saber o que fazer
comigo mesma,
Separo tuas roupas
E teus discos...
Sem pactos,
Nem juras de amor!
E o nosso ódio mutuo,
nossa vida mutilada...
Sem contrôle absoluto
Sobre nós...
E pra não implodir
a relação,
Vamos negociar
a intimidade,
Alem dos corpos,
Alem da fome de amor,
Além do sentimento
mascarado da saudade!!!

Dorothy de Castro



RELAÇÕES PERIGOSAS


Nem tudo
que eu escondo aqui por dentro,
Há de durar por mil anos celestes,
A importância de pensar e revelar
Deixa entender, que o segredo
É sempre meu...
Tem a viagem recente no passado,
Tem o passado recente no presente...
Falta cumplicidade, fragiliza,
Existe o medo de não matar a fome
Do amor que dorme,
No quarto dos amantes...
Nem tudo isso,
Aqui dentro de mim,
Revela horas de transas
amorosas...
Porque não tem começo,
meio ou fim...
Só nossas relações,
Tão perigosas !!!

Dorothy de Castro



ÓDE ÀS LOUCAS

Ode às mulheres loucas
E que seja um canto divino
Porque elas merecem...
As loucas desenfreadas
Que se desesperam
À esperar o amor!
As que se vestem
De sensuais langeries,
Colocam altas sandálias
E pisam mansas no peito
Dos homens que as
deixam loucas...
Ode às loucas
Do meu tempo,
E de todos os outros tempos...
As que perfumam a cidade
Quando espalham
O próprio cheiro,
O cheiro de mulher louca...
As que gritam, choram e cantam,
Com ódio, amor ou ternura...
Ode à mulher normal,
Em sua doce loucura!!!

Dorothy de Castro